A gestão de senhas e identidades está em constante transformação, desafiando práticas antigas e trazendo novas recomendações, como as do NIST.
Uma frase do personagem príncipe Falconeri, no romance “O Leopardo”, ilustra bem esse cenário:
“Tudo deve mudar para que tudo fique como está”.
Porém, o que isto tem a ver com as senhas?
Segundo as novas recomendações do NIST, em especial sobre senhas, temos alguns pontos polêmicos:
- Caracteres especiais não são mais um requisito;
- A troca periódica, ou pelo menos em curtos períodos, não é mais um requisito;
- Adicionalmente, o SMS não é mais recomendado, como canal “out of band”, tanto para troca de senhas quanto como multifator de autenticação.
Visão geral das práticas de senha no Brasil e no mundo
Então, como as pessoas, em geral, estão vendo a questão de credenciais? Vamos dar uma olhada em uma pesquisa recente feita na Inglaterra*:
- A preocupação mais comum é que o dinheiro seja roubado, sendo que 42% acredita na probabilidade disso acontecer;
- 89% usam a internet para fazer compras online, com 39% semanalmente;
- Um em cada três depende de amigos e familiares para obter ajuda sobre segurança cibernética;
- Os mais jovens são um pouco mais conscientes da privacidade e tendem a ter mais cuidado com o que compartilham on-line;
- 61% dos usuários de internet verificam mídia social diariamente;
- 70% sempre usam PINs e senhas para smartphones e tablets;
- Menos da metade usa uma senha forte e separada para sua conta de e-mail principal.
E quanto ao Brasil? A principal descoberta foi que para cerca de 60% dos brasileiros e ingleses o mais comum é escolher como senha uma combinação apenas com números.
A senha mais escolhida nos dois países: “123456”, seguida não muito de perto pelas não menos criativas: “123456789” e “password”.
Após os códigos só com números, o padrão que mais aparece são nomes próprios “mary” ou “maria”, dependendo o lado do oceano que você esteja.
Agora veja, por exemplo, as senhas vinculadas aos esportes:
Na Inglaterra, entre as dez mais estão “liverpol”, “chelsea”, “newcastle” e “tottenham”.
Já no Brasil, estão: “Flamengo”, “timão”, “galo”, “gremio”, “colorado”. Ainda no Brasil, tirando os nomes, as palavras mais comuns são: “sucesso”, “Brasil”, “felicidade”, “musica”, “estrela”, etc.
Recomendações do NIST
Agora, sim, depois destes dados, o que podemos dizer sobre as novas recomendações do NIST?
Que se deve considerar o contexto das mudanças, já que, em geral, se trata de um ambiente onde já existem controles compensatórios à boa e velha senha, como, por exemplo: o duplo fator e não menos importante: a diferenciação entre os usuários.
Mas o que fazer para proteger a população, considerando ambos os pontos polêmicos, a senha, que, na verdade, não é nem tão boa, e nem tão velha, e o conceito que somos todos iguais?
É necessário, portanto, existir diferenças entre os usuários, e entre as diferenças, está a relação com credenciais que permitem acesso às informações valiosas ou críticas.
Algumas pessoas possuem credencias que, caso comprometidas, podem causar prejuízos graves, não apenas a própria pessoa, mas à comunidade. Outras nem tanto.
Não é preciso muita imaginação para pensar em exemplos, do extremo de ataque cibernético terrorista, que esperamos sejam raras, até a fraudes mais simples, e mais comuns, como de um e-mail contendo um boleto falso.
E sobre a “flexibilização” dos requisitos? Como já dissemos, em um ambiente onde já existam controles compensatórios, como um duplo fator, os requisitos se tornam redundantes.
A mensagem principal de tudo o que vimos acima é que as pessoas no mundo real estão bem distantes da discussão entre os especialistas.
Apesar disso, as pessoas até se preocupam, mas no dia a dia precisam de artefatos que as ajudem a se manterem seguras.
O que fazer então?
Reconheça as diferenças e decida quais controles são aplicáveis a cada caso. Para a maioria, uma senha e um duplo fator, como o Google Authenticator, já é satisfatório.
Por outro lado, para outras, como, por exemplo: gestores de empresas, cujas credencias permitem acessos ou ações críticas, podem demandar controles adicionais.
Parece óbvio, mas é sempre bom lembrar: facilitar a vida de seu usuário com um portal amigável que se adapte ao uso e as necessidades de troca ou reset de senha, faz a diferença na segurança da empresa e na agilidade dos setores.
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