Skip to main content

O que você precisa saber sobre Threat Intelligence e como evitar ataques

By 6 de fevereiro de 2024fevereiro 19th, 2024Inovação

O que você precisa saber sobre Threat Intelligence e como evitar ataques

 

No Dia da Internet Segura, falaremos sobre a Threat Intelligence, um tema importante para a segurança cibernética na era digital. 

A Threat Intelligence fornece informações valiosas sobre ameaças emergentes, auxiliando as organizações a identificar e mitigar ataques cibernéticos de forma eficiente. Essa é uma necessidade urgente, pois os ataques cibernéticos têm se intensificado nos últimos tempos.

Um estudo da Allianz Commercial mostrou que, somente no primeiro semestre de 2023, os casos de sequestros de dados (ransomware) aumentaram 50% em relação ao ano passado, além de uma elevação nos casos de extorsão a empresas. O Brasil, em particular, teve um número impressionante de 23 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos nesse período, liderando as estatísticas na América Latina

Neste artigo, você aprenderá mais sobre a Threat Intelligence e como ela pode ajudar a prevenir ataques cibernéticos de forma eficaz. Boa leitura!

O que é Threat Intelligence?

Threat Intelligence, também chamada de Inteligência de Ameaças Cibernéticas, consiste no processo de coletar, analisar e interpretar dados sobre possíveis e reais ameaças digitais. Seu principal objetivo é auxiliar as organizações a compreenderem e se anteciparem aos ataques cibernéticos, diminuindo assim os perigos relacionados à segurança digital.

A Threat Intelligence oferece conhecimentos sobre as técnicas, motivações e metas dos atacantes, possibilitando que as empresas elaborem estratégias mais eficientes para defender seus sistemas e dados. Esta área abrange desde a análise de tendências de longo prazo no ambiente de ameaças cibernéticas até a detecção de ataques em curso, fornecendo informações importantes para uma resposta ágil e eficaz a incidentes de segurança.

Tipos de Threat Intelligence

Os tipos de Inteligência de Ameaças Cibernéticas são produzidos a partir de diferentes estágios do ciclo de vida, que abordaremos no tópico seguinte. Aqui, apresentaremos três  principais categorias: estratégico, tático e operacional. Cada um deles possui características e finalidades específicas, confira:

Estratégico

Este tipo de Threat Intelligence foca em fornecer insights e entendimentos sobre as tendências gerais e os motivos de quem realiza os ataques. Servel para definir a estratégia de segurança da organização e ajudar na tomada de decisões de negócio. É destinada principalmente aos altos executivos do setor de tecnologia da informação, como o Chief Information Security Officer (CISO), o Chief Information Officer (CIO) ou o Chief Technology Officer (CTO).

Tático

Refere-se à informação que detalha as táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) específicos usados pelos atores de ameaças. Este tipo de inteligência é prático e imediatamente aplicável, fornecendo aos profissionais de segurança informações sobre como os atacantes operam e como melhor defender contra métodos de ataque. É utilizada para melhorar as defesas existentes, desenvolver novas contramedidas e treinar equipes de segurança sobre ameaças emergentes.

Operacional

Inclui informações sobre ameaças específicas e campanhas de ataque que estão ativamente visando a organização ou setor. Inclui detalhes sobre indicadores de comprometimento (IoCs), como endereços IP maliciosos, URLs, hashes de arquivos e outros artefatos associados a uma campanha de ataque específica. É vital para equipes de resposta a incidentes e operações de segurança, permitindo-lhes identificar, investigar e mitigar ameaças específicas de maneira eficaz e tempestiva.

Além desses três, existe um quarto tipo que chamamos de Técnico. Ele é menos conhecido e abordado no setor, mas se concentra em pistas técnicas indicativas de uma ameaça cibernética, como linhas de assunto em e-mails de phishing ou URLs fraudulentas. Este tipo é importante porque fornece uma ideia do que procurar, tornando-se útil para analisar ataques de engenharia social.

Como é o ciclo de vida da Threat Intelligence?

O ciclo de vida da Threat Intelligence é um processo contínuo composto de seis etapas: Identificação de Requisitos, Coleta, Processamento, Análise, Disseminação e Feedback. Este ciclo é fundamental para a construção de um programa eficaz que resulte em redução de riscos no mundo real e forneça dados acionáveis para a tomada de decisões

Identificação de requisitos

Esta fase inicial envolve a identificação das necessidades de informação da organização e o estabelecimento de objetivos para o programa de inteligência de ameaças. É crucial para garantir que os processos de CTI estejam alinhados com os objetivos de negócios e gerenciamento de riscos da organização.

Coleta

Após estabelecer os ativos críticos que precisam ser protegidos, a coleta de dados é iniciada. Os dados brutos necessários para atender aos requisitos podem ser provenientes de uma variedade de fontes internas e externas, incluindo logs de eventos de rede, feeds de dados de ameaças da indústria, análises de malware, notícias e blogs, comunidades de compartilhamento de informações e fóruns na dark web.

Processamento 

Após a coleta, os dados brutos de ameaças precisam ser organizados e limpos para eliminar falsos positivos e redundâncias, e traduzidos em um formato utilizável. O processamento pode incluir decifração, classificação por precisão e relevância, e tradução de idiomas estrangeiros.

Análise

O objetivo principal desta etapa é identificar possíveis problemas de segurança e desenvolver insights acionáveis com base nas necessidades delineadas na fase de direção. A análise transforma a informação processada em inteligência que pode orientar decisões organizacionais.

Disseminação

Uma vez que as questões importantes são respondidas, é hora de compartilhá-las com as partes relevantes. A inteligência de ameaças é enviada a várias unidades de negócios que podem derivar valor dela e que foram identificadas durante a fase de “identificar requisitos”.

Feedback e melhoria contínua

A última etapa, ou a primeira etapa do próximo ciclo, é avaliar suas descobertas e determinar os próximos passos. Isso inclui avaliar a execução do próprio ciclo de vida da inteligência de ameaças. A inteligência de ameaças eficaz depende da melhoria contínua; não é possível melhorar a postura de segurança sem fazer mudanças consistentes em protocolos, ferramentas, processos e estratégias.

Este ciclo ajuda a garantir que os resultados e análises das equipes de CTI estejam corretamente alinhados com a gestão de riscos e os objetivos de negócios, garantindo que os dados de ameaças sejam efetivamente disseminados e proporcionem valor para as equipes de gestão de riscos e executivos.

Como aplicar a inteligência de ameaças na sua empresa?

Para responder essa pergunta, conversamos com o Carlos Oliveira, Diretor da E-TRUST, empresa líder brasileira em gerenciamento de identidade e acessos, que nos apresentou algumas orientações. Segundo ele, “para aplicar efetivamente a Threat Intelligence, é necessário identificar e proteger seus ativos críticos, selecionando fontes confiáveis de inteligência e integrando a Threat Intelligence em seus processos de segurança já existentes. Também é importante desenvolver habilidades analíticas em sua equipe e adotar uma abordagem proativa para identificar e mitigar ameaças emergentes, avaliando e aprimorando continuamente suas estratégias”. 

Selecionamos juntos um passo a passo para começar a integrar as práticas citadas acima em estratégias de segurança. São elas:

Avalie seus ativos e riscos

Antes de mais nada, é essencial entender quais são os ativos mais valiosos da sua empresa e quais ameaças podem afetá-los. Isso ajuda a determinar o foco da sua estratégia de Threat Intelligence.

Comece com educação e conscientização

É fundamental que tanto a equipe de segurança quanto os outros funcionários entendam o que é Threat Intelligence e por que ela é importante. Promover a educação e a conscientização sobre ameaças cibernéticas é um passo crucial.

Defina objetivos claros

Estabeleça objetivos claros para o que você deseja alcançar com a Threat Intelligence. Isso pode incluir melhorar a detecção de ameaças, acelerar a resposta a incidentes ou aumentar a conscientização geral sobre segurança cibernética.

Utilize fontes de inteligência confiáveis

Há uma vasta gama de fontes de Threat Intelligence disponíveis, incluindo feeds de dados públicos e privados, relatórios de segurança e comunidades de compartilhamento de informações. Escolha fontes confiáveis que se alinhem com os riscos identificados para a sua organização.

Implemente ferramentas adequadas

Utilize ferramentas e tecnologias apropriadas para coletar, analisar e gerir dados de Threat Intelligence. Isso pode incluir soluções SIEM, plataformas de gerenciamento e ferramentas de análise de dados.

Integre a Threat Intelligence nos processos existentes

A inteligência de ameaças deve ser integrada aos processos de segurança existentes, como a análise de riscos, a resposta a incidentes e as operações de segurança do dia-a-dia.

Desenvolva capacidades analíticas

Construa uma equipe capaz de analisar e interpretar dados de Threat Intelligence. Isso inclui a capacidade de distinguir entre ameaças reais e falsos positivos, além de identificar tendências e padrões.

Adote uma abordagem proativa

Em vez de apenas reagir a ameaças conhecidas, use a Threat Intelligence para adotar uma abordagem proativa, identificando ameaças emergentes e preparando a empresa para possíveis cenários futuros.

Avalie e melhore continuamente

É crucial avaliar regularmente a eficácia das suas estratégias e fazer ajustes conforme necessário, sempre buscando melhorar as capacidades de Threat Intelligence da sua organização.

Benefícios da Threat Intelligence

O avanço da tecnologia e o aumento da digitalização trazem grandes desafios para as organizações que precisam proteger seus dados e ativos digitais de ameaças cibernéticas. Para enfrentar esse cenário, a Threat Intelligence oferece uma solução, dando às empresas a possibilidade de compreender melhor e reagir mais efetivamente a essas ameaças.

Ainda em entrevista com Carlos, foi explicado que uma das principais vantagens da Threat Intelligence é a detecção precisa de atividades maliciosas e a capacidade de responder rapidamente a ameaças em andamento. “Isso ajuda a limitar o dano causado por ataques, minimizando o tempo de exposição a riscos. Além disso, essa abordagem proativa fornece informações sobre as tendências de ameaças, permitindo que as organizações implementem medidas de segurança mais eficazes e atualizem suas políticas de segurança para mitigar o risco cibernético”.

Outro aspecto fundamental da Threat Intelligence é a economia de recursos. Ao priorizar ameaças com base em informações concretas e contextualizadas, as empresas podem evitar a alocação de recursos para ameaças de baixa prioridade, resultando em uma utilização mais eficiente do tempo e dos recursos financeiros. “Outro benefício importante é a capacidade de priorizar nossas respostas. Com a Threat Intelligence, podemos identificar quais ameaças representam o maior risco para nossa organização e alocar recursos de forma mais eficiente. Isso não só economiza tempo e dinheiro, mas também aumenta a eficácia das nossas defesas cibernéticas”, afirma Carlos. 

A falta de análise adequada de dados em casos de segurança pode levar a decisões mal informadas e a uma resposta ineficaz a incidentes cibernéticos. Isso sublinha a importância de contar com um serviço de Threat Intelligence que não apenas colete dados, mas também os analise de maneira a fornecer informações acionáveis.

A Threat Intelligence também é essencial para ajudar as organizações a cumprir com as regulamentações de segurança cibernética. Ela não é apenas uma camada adicional de defesa, mas um componente essencial da estratégia de segurança cibernética de uma organização moderna e preparada, garantindo a resiliência e a integridade dos ativos digitais da empresa.

Por fim, Carlos reforça que, “um aspecto que frequentemente ressalto é o papel da Threat Intelligence na prevenção de danos financeiros e reputacionais. A capacidade de detectar e responder rapidamente a ameaças pode ser a diferença entre uma violação de dados menor e um desastre de grandes proporções. Isso é especialmente importante em uma era onde uma única violação pode ter consequências devastadoras para a confiança do cliente e a imagem da marca.”

Quais os desafios para implementar a Threat Intelligence?

Implementar a Threat Intelligence é um desafio para as empresas, apesar de ser um avanço importante para a segurança cibernética. Os desafios são de diferentes tipos, desde técnicos até estratégicos e operacionais, e demandam um planejamento cuidadoso e uma execução eficiente.

A coleta de dados relevantes e precisos é um dos principais desafios na implementação. Diante da grande quantidade de informações disponíveis, é fundamental filtrar e identificar dados que sejam específicos para a organização. Isso exige não só ferramentas avançadas, mas também um conhecimento claro dos ativos e riscos da empresa.

Outro desafio significativo é a integração da Threat Intelligence nos sistemas de segurança existentes. As informações coletadas devem ser usadas para reforçar as defesas já existentes e melhorar a capacidade de resposta a incidentes. Isso pode requerer mudanças e atualizações substanciais nos sistemas e processos de segurança atuais.

Medindo informações para tomada de decisões

Medir a eficácia da Threat Intelligence é uma tarefa essencial, mas complexa, que requer uma abordagem multifacetada. Para avaliar de forma eficaz a eficiência dos esforços, as empresas devem considerar vários indicadores e metodologias.

Em primeiro lugar, um indicador essencial da eficácia é a redução na quantidade e na gravidade dos incidentes de segurança. Isso pode ser verificado pela queda na frequência de ataques com êxito, vazamento de dados ou infecções por malware. Uma diminuição expressiva nesses incidentes pode sinalizar que a Threat Intelligence está auxiliando a organização a se prevenir e neutralizar eficazmente as ameaças.

Outro aspecto é o tempo de resposta a incidentes. Organizações com uma Threat Intelligence eficaz normalmente notam uma redução no tempo exigido para identificar e reagir a incidentes de segurança. Isso pode ser verificado pelo tempo entre a identificação de um incidente e a sua solução. Uma resposta mais ágil e eficaz indica que a Threat Intelligence está sendo empregada de maneira efetiva para guiar ações de resposta a incidentes.

Além disso, a eficácia da Threat Intelligence pode ser verificada pela melhoria nas decisões de segurança. Isso abrange a capacidade de antecipar e se preparar para ameaças emergentes, bem como a implementação de medidas de segurança mais eficazes com base na inteligência obtida.

E o resultado básico que toda empresa precisa analisar é o Retorno sobre Investimento (ROI). Avaliar o custo-benefício da implementação da Threat Intelligence, considerando tanto os custos associados quanto os benefícios obtidos. Isso inclui considerar os custos evitados através da prevenção de incidentes de segurança e os ganhos indiretos, como a melhoria da reputação e confiança do cliente.

Em suma, medir a eficácia da Threat Intelligence requer uma combinação de análise quantitativa e qualitativa. Acompanhar os indicadores corretos e analisá-los no contexto da estratégia global de segurança da organização é essencial para garantir que a Threat Intelligence esteja cumprindo seu papel fundamental na proteção contra ameaças cibernéticas.

Tendências em inteligência de ameaça: IA no foco

As tendências em inteligência de ameaça para 2024 e os próximos anos refletem uma evolução contínua no cenário de cibersegurança, com foco em abordagens mais sofisticadas e ferramentas avançadas. De acordo com o Carlos, o tema IA tem ganhado forças e é o que podemos esperar de maior avanço para este ano. Aqui estão algumas das tendências chave nesse domínio.

Automação avançada para detecção e resposta

Uma das maiores tendências é o uso da IA para automatizar a detecção de ameaças e a resposta a incidentes. A IA pode analisar rapidamente grandes volumes de dados para identificar padrões suspeitos ou anômalos, possibilitando uma resposta mais rápida a incidentes de segurança. Isso não só melhora a eficiência, mas também ajuda a mitigar o impacto dos ataques.

Aprendizado de máquina para previsão de ameaças

Estamos utilizando algoritmos de aprendizado de máquina para prever ameaças antes mesmo que elas se manifestem. Isso inclui a análise de tendências emergentes no ciberespaço e a identificação de potenciais vetores de ataque, o que nos permite reforçar nossas defesas proativamente.

IA generativa em ciberataques

Uma área de particular interesse é o uso crescente da IA generativa por cibercriminosos. Os hackers estão utilizando tecnologias de IA para gerar phishing e outros ataques cibernéticos mais sofisticados, que são mais difíceis de detectar e bloquear. Isso requer que os times de segurança cibernética adotem estratégias mais avançadas e também baseadas em IA para combater essas ameaças.

Análise comportamental e IA

Outra tendência é a utilização da IA para análise comportamental. Isso envolve o uso de IA para monitorar padrões de comportamento dos usuários na rede e identificar atividades anômalas que podem indicar uma ameaça interna ou uma infiltração externa.

IA na melhoria dos controles de segurança

A IA também está sendo usada para aprimorar os controles de segurança existentes. Por exemplo, algoritmos de IA estão sendo integrados em firewalls e sistemas de prevenção de intrusões para melhorar sua capacidade de detectar e bloquear ameaças avançadas.

Desenvolvimento de defesas resistentes à IA

Com o aumento do uso da IA por atacantes, também estamos focados no desenvolvimento de defesas que sejam resistentes à IA. Isso significa criar sistemas que possam identificar e reagir a ataques automatizados ou que se utilizam de IA, assegurando que nossas defesas permaneçam eficazes mesmo contra as ameaças mais sofisticadas.

Em conclusão, podemos dizer que a IA está no centro das tendências de inteligência de ameaças cibernéticas, tanto como uma ferramenta para melhorar a segurança cibernética quanto como um vetor de ameaça que precisa ser combatido. À medida que avançamos, a integração da IA na segurança cibernética se tornará cada vez mais sofisticada e fundamental para a proteção contra ameaças em evolução. A Threat Intelligence entra cada vez mais como uma estratégia de prevenção necessária.

 

Aproveite e leia também:

 • IA guiará novas fronteiras da gestão de identidades

 • Utilize as tecnologias certas no combate aos ataques hackers

 • Como a Inteligência Artificial é usada para o combate de cibercrimes